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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

AS DIFERENÇAS ENTRE O XBOX 360 E O XBOX ONE

Quando foi o lançado, o Xbox 360 causou uma revolução nos consoles de videogame da Microsoft. Com um design diferente, ele ainda teve algumas versões até o lançamento do Xbox One, que corrigiu algumas falhas e apresentou novas tecnologias e adaptações, como a renovação do Xbox Live, que possibilitou muito mais interação com outros jogadores.
Por isso, a chegada do Xbox One promete mais qualidade gráfica e mais jogabalidade com o Kinect. Mas se você ainda ficou na dúvida, colocamos os dois lado a lado e separamos os aspectos mais interessantes dessa disputa. Confira:
 

Xbox One

Xbox One

Xbox 360

Xbox 360

CPU
AMD Jaguar  x86-64 (8 núcleos)
IBM Power PC Triple Core
GPU
AMD Radeon GCN (1,23 TFLOPS)
AMD Radeon GCN 800MHz
Armazenamento
500GB
4GB e 250GB
Conexão sem fio
Sim
Sim
Conexão com fio
Sim
Sim
Conectividade
HDMI / USB 2.0 / USB 3.0
HDMI / USB 2.0
Reproduz Blu-Ray
Sim
Não

Vamos falar de potência dos videogames da Microsoft

Quando se trata das configurações gráficas e técnicas, realmente o Xbox One sai na frente. Mas, isso se deve a evolução da empresa em aperfeiçoar cada vez mais os seus consoles. Com uma CPU de 8 núcleos, seus jogos rodam mais rápido, e todas as outras funções de entretenimento que o Xbox One oferece são executadas sem engasgos.
Essa diferença no Xbox One pode ser justificada pelas opções de entretenimento que vão além dos jogos.
A Microsoft já não pensa em seus consoles somente como dispositivos para games, e esseupgrade de configurações ajudam a abraçar esses novos recursos.
Mas o Xbox 360 não se tornou obsoleto após o lançamento do Xbox One. Sua CPU ainda dá conta dos seus jogos e do Xbox Live sem problemas. A Microsoft só buscou resolver o temido 3RL, quando as 3 luzes do Xbox 360 ficavam vermelhas e o console travava.

O que seria de um console de videogame sem os gráficos?

A GPU é outro aspecto que avançou no Xbox One. A velocidade de processamento aumentou para acompanhar o processador mais veloz. Com isso, os jogos melhoraram, e títulos como Call of Duty: Ghosts e Ryse: Son of Rome trazem imagens quase cinematográficas, que são mais bem aproveitadas graças à qualidade gráfica do console.

Conexões e conectividade: ponto para o Xbox One

Tanto o Xbox 360 quanto o Xbox One contam com conexão com a internet: Eles são modelos de videogame com Wi-Fi e entrada Ethernet, que garante uma conexão a cabo mais rápida e segura.
Já quando se trata de entradas e saídas, o Xbox One ganha mais uma vez. Ele vem com entrada USB 3.0, que tem uma taxa de transferência 10 vezes mais rápida que o USB comum. Inclusive, entradas USB 2.0 estão presentes em ambos os consoles, assim como a conexão HDMI, que permite a ligação com TVs HD e de altíssima definição (Full HD).

Opções de entretenimento

O Xbox 360 roda CD/DVDs, enquanto o Xbox One aceita Blu-Ray. Essa é uma configuração que se alinha a ideia de que a Microsoft busca agora entregar consoles com mais do que jogos.
Um dos investimentos do fabricante nesse sentido é o Xbox Live, que traz aplicativos e outros recursos voltados para personalização das suas preferências, além de acesso a filmes, séries e até a sua TV a cabo, como o Xbox One faz, em um só dispositivo e sem precisar mudar as conexões.

Controles e Kinect: avanços significativos

A maior mudança do joystick em si, entre uma geração e outra, é a localização de onde se insere as pilhas. No Xbox 360 era uma elevação que podia trazer desconforto durante o seu uso. Já no Xbox One, esse espaço foi incorporado ao controle, ou seja, não se destaca mais.
Aliás, esse é um aspecto que a Microsoft ainda não modificou: a alimentação dos controles continua sendo com o uso de pilha.
E a grande novidade do Xbox One é o Kinect e o seu controle por voz. Sim, você pode ligar, desligar, trocar de canal, entre outros comandos que agregam outro nível de interação com o seu console.
O controle por movimentos do Kinect, presente no Xbox 360, já era um enorme diferencial, que inspirou jogos que se tornaram mania, como a franquia Just Dance. Porém, focada nessa experiência cada vez mais interativa e completa, o controle por voz é um recurso muito interessante para quem não pensa em um videogame como apenas um dispositivo para games e quer investir em um centro de entretenimento.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

LANÇAMENTOS DO MÊS DE DEZEMBRO


Novembro historicamente é um mês cheio de lançamentos, assim como dezembro é um mês fraco. Mas isso não é razão para desanimar, pois apesar da pouca quantidade, há alguns títulos bastante promissores e aguardados.
O de maior destaque é sem dúvida Xenoblade Chronicles X. Continuação do cultuado Xenoblade Chronicles lançado para Wii em 2010, o game é um RPG de ação de primeira, da mesma linhagem da clássicasérie iniciada por Xenogears no primeiro Playstation, o game é obra do diretor Tetsuya Takahashi da Monolith Studios. É o tipo do jogo “killer-app”, que pode justificar sozinho a compra do console, já que ele é exclusivo do Wii U
Outro destaque do mês fica por conta do novo game da série Rainbow Six: Siege. Nesse novo capítulo da série de jogos de tiro tático em primeira pessoa, o foco total é no multiplayer. Tanto que não haverá modo single player e nem sequer história. Cada partida possui objetivos a serem cumpridos e tudo é focada na ação e na interação da jogatina online.
Outra observação importante: quase nenhum lançamento para Playstation 3 e Xbox 360. Será difícil os consoles da geração passada resistirem ao ano de 2016. Para quem curte lançamentos, definitivamente chegou a hora de entrar na nova geração.
Playstation 4
- Tom Clancy’s Rainbow Six Siege– 01/12/15
- Just Cause 3 – 01/12/15
- Kung Fu Panda: Showdown of Legendary Legends – 01/12/15
- Earth Defense Force 4.1: The Shadow of New Despair – 08/12/15
- Baseball Riot – 09/12/15
Xbox One
- Tom Clancy’s Rainbow Six Siege – 01/12/15
- Just Cause 3 – 01/12/15
- The Incredible Adventures of Van Helsing – 01/12/15
- Kung Fu Panda: Showdown of Legendary Legends – 01/12/15
- Baseball Riot – 09/12/15
Wii U
- Xenoblade Chronicles X – 04/12/15
- Devil’s Third – 11/12/15
- Kung Fu Panda: Showdown of Legendary Legends –15/12/15
- Mario Tennis: Ultra Smash – 31/12/15
Playstation 3
- Kung Fu Panda: Showdown of Legendary Legends – 01/12/15
- Legend of Heroes: Trails of Cold Steel – 15/12/15
Xbox 360
- Kung Fu Panda: Showdown of Legendary Legends – 01/12/15
PS Vita
- Sid Meier’s Civilization Revolution 2 – 03/12/15
- Earth Defense Force 2: Invaders From Planet Space – 08/12/15
- Baseball Riot – 09/12/15
- Legend of Heroes: Trails of Cold Steel – 15/12/15
Nintendo 3DS
- Kung Fu Panda: Showdown of Legendary Legends – 01/12/15
- Pokémon Picross – 03/12/15
PC
- Tom Clancy’s Rainbow Six Siege – 01/12/15
- Just Cause 3 – 01/12/15
- Darius Burst: Chronicle Saviours – 03/12/15
- Baseball Riot – 09/12/15
- RollerCoaster Tycoon World – 10/12/15

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Análise: Brink


A Splash Damage prometeu que Brink seria uma revolução no muito concorrido mercado dos first person shooters, uma experiência focada no trabalho de equipa, com uma campanha singleplayer e multiplayer fundida numa só. Será que esta revolução foi bem sucedida?
Brink não é um jogo fácil de explicar em poucas palavras, mas quem viu o anúncio deste jogo muito provavelmente ficou com a ideia que se trata de um clone do Mirror’s Edge em que o parkour é um elemento central do jogo e existe um forte componente singleplayer sobre o conflito entre as duas facções (Segurança e Resistência) que habitam uma outrora cidade paradisíaca no meio de um oceano, chamada The Ark. No entanto, a parte central do anúncio são as partes menos importantes de Brink, pois na sua essência este é um jogo multiplayer focado totalmente no trabalho de equipa.
Apesar de ser possível afirmar que existe uma campanha singleplayer, esta não é propriamente uma campanha tradicional. Após tomar a escolha entre a Resistência ou Segurança, é exibido um filme que explica as motivações da facção escolhida mas a partir daí só temos acesso a pequenos filmes durante os tempos de carregamento da nova missão, em que personagens anónimas se limitam a explicar de uma forma muito ténue as motivações para a missão seguinte. A história apesar da premissa interessante nunca é suficientemente explorada, no entanto um dos quatro finais possíveis e as gravações áudio fazem com que se fique com a ideia que inicialmente a Splash Damage tinha ideias de explorar mais a história, mas recuou nessas intenções de modo a poder retirar qualquer estrutura à campanha singleplayer, que não passa de 8 mapas multiplayer que podem ser jogados em qualquer ordem e populados por bots e/ou humanos em modo co-op ou versus, sendo que a qualidade da experiência depende e muito da companhia que levem para o campo de batalha.
Não há margem para dúvidas que Brink é um jogo bastante diferente da maioria dos shooters que existem no mercado, não fazendo qualquer concessão para agradar à geração Call of Duty, retirando espaço para que um jogador seja capaz de dominar sozinho, removendo qualquer menção à razão K/D, sniper rifles que não matam com um tiro, granadas que não matam excepto em raras situações e colocando inúmeras opções do jogo com o simples objectivo de ajudar quem está ao nosso lado, pois só trabalhando em equipa é possível vencer os obstáculos que são colocados à nossa frente.
A complexidade inerente de Brink não é ajudada por decisões estranhas de quem desenvolveu o jogo, como é o caso do chamado tutorial em formato vídeo que em pouco ou nada serve para preparar o jogador (para além do prémio de 1000XP por ver o vídeo), sendo que o verdadeiro tutorial por alguma razão se chama “Challenge Mode”, constituído por quatro missões com três níveis de dificuldade e que ajudam bastante na aprendizagem dos conceitos básicos de jogar com uma das quatro classes disponíveis (médico, engenheiro, soldado e operacional) e usar o sistema S.M.A.R.T que através de um botão permite transpor obstáculos de uma forma simples apesar de nem sempre funcionar como devia, muito em culpa da maioria dos mapas que estranhamente não aparentam ter sido concebidos por forma a tirar proveito deste sistema.
E se a Splash Damage não facilitou muito a introdução de novos jogadores e a navegação de menus do jogo, o mesmo já não se pode dizer do interface usado no jogo. É de louvar que tenham conseguido colocar as muitas opções – desde seleccionar habilidades até mudar objectivos usando a roda de objectivos – à disposição do jogador à mera distância de um único botão, permitindo um controlo total a qualquer altura.
Mesmo após algumas horas de jogo, Brink não deixa dúvidas que o melhor do jogo é mesmo no campo de batalha, e não faltam momentos memoráveis que mostram o potencial deste jogo em todo o seu esplendor. Inicialmente tudo pode parecer simples e de fácil execução, como é a missão de proteger um bot de reparação durante um percurso, mas em poucos minutos a confusão instala-se e de repente é necessário um engenheiro para reparar uma grua, outro engenheiro para reparar o bot entretanto danificado pelos adversários, um soldado para colocar um explosivo numa porta e médicos para reanimar os que vão morrendo. É nestes momentos que o jogo prova àqueles que insistem em achar que são capazes de fazer tudo sozinhos que afinal não é possível estar em quatro sítios diferentes ao mesmo tempo e que neste jogo se queremos seguir em frente precisamos de cumprir o nosso papel e mais importante que isso ter confiança que o nosso colega do lado também seja capaz de cumprir o papel dele.
Se isso não fosse o suficiente para ensinar os jogadores a forma correcta de jogar, a atribuição de pontos coloca uma importância muito maior em cumprir os objectivos primários do que em matar os adversários. Este “suborno” parece ser especialmente eficaz pois não é raro ver equipas de humanos concentradas somente em cumprir os objectivos primários e secundários, abordando adversários apenas em situações em que estes são um obstáculo para cumprir esses objectivos. Este é o maior sucesso conseguido por Brink, fazer com que as pessoas adiram a trabalhar em prol da equipa e de cumprir os objectivos necessários para vencer.
Infelizmente a qualidade da experiência nem sempre se consegue manter nesse patamar. Mesmo quando se joga online, se não há 16 humanos, o jogo coloca bots nos lugares disponíveis e apesar de serem bastante competentes em algumas tarefas – mais competentes que humanos em algumas tarefas como reanimar – noutras simplesmente não são capazes de as realizar, colocando todo o peso de cumprir certos objectivos em cima dos jogadores humanos e quebrando o princípio básico de confiança em que se baseia este jogo. Este pormenor assume maior importância, quando se verifica que é complicado encontrar um jogo com 16 humanos mesmo após só ter passado uma semana depois do jogo ter saído para o mercado, colocando-se por isso a questão sobre a manutenção de uma comunidade activa, o que pode vir deixar os bots como a única opção para se jogar daqui a uns meses.
Em termos técnicos, Brink não consegue bater-se de igual para igual com outros shooters lançados nos últimos tempos. A qualidade gráfica é razoável sendo que a direcção artística consegue compensar parte dessa lacuna, o tempo de carregamento das texturas é lento, as animações das personagens são péssimas e nota-se algumas quebras de frames quando ocorrem situações mais caóticas, mas o pior destes problemas é definitivamente o intenso lag sentido em alguns jogos. Estranhamente as piores ocorrências foram sempre em jogos com poucos jogadores humanos, sendo que nunca ocorreu em jogos com mais de 10 jogadores humanos. O som faz o que lhe compete e nada mais, permitindo distinguir a maioria das armas que estão a ser disparadas, destacando-se o facto de haver uma comunicação áudio sempre que um colega decide assumir um objectivo diferente mesmo que este não tenha microfone.
Apesar do lag e dos bots serem problemas que afectam a experiência de uma forma bastante negativa, o maior problema de Brink é a repetibilidade que se sente após algumas horas de jogo. Os 8 mapas incluídos com o jogo não são suficientes para sustentar um estilo de jogo que se baseia à volta de objectivos pré-definidos que são sempre iguais, sendo que o facto de se jogar como Segurança ou Resistência não confere uma segunda variação ao mapa, visto que a única coisa que muda é quem ataca e defende os mesmos objectivos.
Para tentar evitar que a repetibilidade se sinta, Brink inclui a possibilidade de criar diferentes personagens e modificar o seu aspecto com acesso a diversas opções visuais e mais importante entre três tipos de corpo – leve, médio e pesado – sendo que o leve é mais acrobático permitindo usufruir de mais opções de deslocações nos mapas através do sistema S.M.A.R.T. mas em compensação aguenta com menos balas até morrer, enquanto os pesados são menos ágeis mas são autênticas esponjas de balas.
Para além disto, existem ainda diversas habilidades para desbloquear sendo que algumas aplicam-se a todas as classes, enquanto outras são específicas para as quatro diferentes classes do jogo. Adicionando ainda mais complexidade ao jogo, este não atribui pontos suficientes para desbloquear todas as habilidades com a mesma personagem, o que força a que se tenha que tomar decisões de modo a construir uma personagem para determinado estilo de jogo e ao mesmo tempo incentivando à criação de várias personagens. Esta decisão certamente não agradará a todos, mas no ambiente de Brink é uma decisão acertada, pois deste modo o balanço do jogo é salvaguardado, evitando-se personagens capazes de se adaptar a qualquer situação e reduzindo ao mínimo possível a diferença entre alguém com nível 1 e alguém com nível 20, sem limitar muito a progressão que se espera quando se implementa um sistema XP num jogo.
Brink pode ter ficado aquém de ser a revolução que tinha prometido mas é certamente uma lufada de ar fresco num género a precisar urgentemente de ideias diferentes. Para quem está à procura de uma campanha tradicional, de uma história complexa ou de um multiplayer que recompensa quem mata mais e morre menos, Brink torna-se num jogo muito fácil de detestar, mas para quem está à espera de um jogo multiplayer focado no trabalho de equipa e está disposto a aguentar alguns problemas e umas primeiras horas em que tudo parece estranho e complicado de aprender, dificilmente ficará desiludido com a experiência que este jogo tem para oferecer.
Disponivel  para: PC, Xbox 360 e PS3
Classificação Final: 7/10

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

REMEMBER ME

Overdose de memórias.
Todos nascemos num certo tempo, num local específico, temos uma origem e foi-nos dado um nome, que mesmo que não gostemos, acaba por nos definir. Mas o que é que determina a nossa identidade? Não se trata do nosso corpo físico, esse é o nosso "eu". O que nos define internamente é o processo cognitivo que nos permite refletir sobre quem somos, o "self". A sua construção surge pela acumulação de experiências ao longo de toda a vida, experiências essas cujas emoções e descodificação linguística acabam por nos marcar, e direcionar a nossa evolução.
O que é certo, o que é errado, o que fazemos facilmente, o que nunca faríamos, os nossos critérios de julgamento em cada situação, tudo que damos como garantido e afirmamos convictamente ser o "normal". As memórias são a chave dessa sobreposição de experiências, mesmo que não se encontrem à disposição estilo memória RAM, algures no nosso "disco" estão impulsos passados que nos definem mais do que julgamos.
A capacidade de manipular memórias utilizando a tecnologia não é uma ideia nova na fantasia, é muito comum no cinema por exemplo, mas no caso dos jogos não é muito explorada. Ora, em 2084 as memórias são o autêntico vício da humanidade, como o facebook do futuro. São transacionáveis, e por isso podem comprar umas férias em Marte como fez Arnold Schwarzenegger no filme se assim desejarem. O problema é que manipular as memórias de alguém é um tremendo poder, e trata-se de um processo que pode facilmente correr pelo pior.
O cenário é a bela cidade de Paris, numa visão futurista que esteticamente parece um mundo retirado da ficção científica montado em cima da Paris actual. É belo em detalhe, e muito marcado por contrastes e desigualdades exacerbadas pelos efeitos da tecnologia, o pano de fundo comum do estilo Cyberpunk. O primeiro contacto é com a parte mais podre do cenário, onde vivem os indigentes esquecidos pela sociedade e conhecidos por Leapers. Estes não se comportam como um humano vulgar, nem tão pouco conservam a totalidade da aparência humana, parecem-se mais com o Gollum do senhor dos anéis.

Mais sobre Remember Me

"Podem comprar umas férias em Marte como fez Arnold Schwarzenegger no filme se assim desejarem."
A memória de quem foram outrora está perdida, retirada por um ou outro motivo do seu Sensen, o aparelho que os cidadãos em 2084 possuem na zona do pescoço e que serve para aceder às memórias de cada um. São também agressivos por natureza e um dos inimigos que encontrarão mais frequentemente na pele de Nilin, a protagonista de Remember Me, e segundo dizem, a melhor caçadora de memórias de que "há memória".
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Parece frágil, mas Nilin tem muito para revelar.
Mas como estamos em 2084 e nem na memória podemos confiar, a construção, ou melhor, a reconstrução de quem somos exatamente vai sendo feita à medida que jogamos. Isto porque quando o controlo de Nilin passa para as nossas mãos, estamos no processo de ter a réstia de memória que nos sobra permanentemente apagada nas instalações da Memorize, a grande corporação que controla a tecnologia Sensen.
É neste quadro dramático que o jogo se apresenta, com um protagonista que em teoria já foi o melhor naquilo que faz, mas que não se lembra. Para escapar das instalações da Memorize com o que pouco que lhe resta, Nilin tem que confiar numa voz que a alcança através do Sensen e que a parece conhecer de outras andanças. Esta figura apresenta-se como Edge, líder de uma espécie de grupo rebelde (Errorists) e que conduz Nilin ao exterior de uma forma pouco convencional, diretamente para o Slum 404, uma das zonas mais podres de Neo Paris.
A estética é inesperadamente o ponto mais forte do jogo, mesmo nestas áreas onde a escuridão e a desorganização imperam. Depois à medida que avançamos para as zonas ricas a arquitetura é mais imponente e futurista, mas o que me surpreendeu mesmo foi o equilíbrio de cores e formas, das várias áreas, é um ambiente desorganizado mas parece autêntico. As texturas não são o melhor que já vi mas são competentes, existem alguns problemas nas expressões faciais durante os diálogos, mas que são esquecidos devido à imponência do estilo e grandes planos que o jogo força propositadamente durante as escaladas.
Remember Me está longe de ser um jogo de plataformas, mas existem muitos momentos em que a navegação funciona a trepar de plataforma em plataforma, de prédio em prédio, de forma automática e muito ao estilo do God of War, mas tal como este, sempre com um show-off visual que impressiona, com cenários marcantes e com muita profundidade. Dá vontade de explorar Neo Paris, possibilidade que infelizmente é algo limitada, mas já lá vamos.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

REVIEW: BATMAN ARKHAM ORIGINS

Batman: Arkham Origins é o novo game do Homem-Morcego para PC, Xbox 360 e PS3. O jogo traz novamente o personagem principal em foco, mas desta vez em seu início de carreira. O herói ainda não é tão experiente e não conhece todos os seus inimigos – algo que é um dos temas centrais do título, que decepciona em alguns pontos, mas acaba sendo uma experiência divertida. Confira:
Batman: Arkham Origins também terá uma versão para portáteis (Foto: Divulgação) (Foto: Batman: Arkham Origins também terá uma versão para portáteis (Foto: Divulgação))Batman: Arkham Origins(Foto: Divulgação)
Gotham: o início
Arkham Origins começa na prisão Blackgate, quando uma rebelião toma o lugar e obriga Batman a sair das sombras. Nessa ocasião, algumas pessoas até mesmo duvidam de sua existência e é neste momento que o herói decide botar um ponto final nas dúvidas e deixar claro aos criminosos quem é que manda no pedaço.
Imponente, o herói chega na prisão e lida com alguns figurões, como o Crocodilo. É aqui também que se desenrola o primeiro encontro com James Gordon, que nesta época ainda não era comissário, e sim tenente. O início do game é repleto de ação e vai direto ao ponto, sem deixar espaço para enrolações ou dúvidas.
O prólogo do jogo também deixa claro que Arkham Origins se preocupa menos com a história e mais com a ação. É claro que a história é legal de se acompanhar e repleta de informações divertidas, como reviravoltas na trama e tudo mais, mas nada comparado aos jogos anteriores. Pelo contrário, se distancia bastante.
Porém, não há muito o que se preocupar. Arkham Origins não faz feio ao apresentar seus vilões, que estão atrás da cabeça de Batman, que foi colocada a prêmio pelo criminoso conhecido como Máscara Negra. Este é o mote principal da aventura e é algo que vai dar muito trabalho ao Morcego, até por conta dos problemas secundários pelo caminho.
Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)
Jogabilidade: velha conhecida
Arkham Origins se esforça para ser bem parecido com os antecessores em termos de jogabilidade. Ainda é tudo muito bem feito e funcional, com Batman distribuindo socos e chutes ao apertar dos seus botões. O sistema de combos continua funcionando muito bem, ainda que as animações das lutas nos tenham parecido um pouco repetitivas demais – algo que não ocorria em Asylum/City.
Os contra-ataques também estão de volta e continuam sendo um ponto-chave nos combates. Mas, felizmente, o jogo não é feito apenas de embates e também demonstra uma certa personalidade em seus quebra-cabeças simples e solução de mistérios por meio de apetrechos utilizados por Batman, o que inclui até mesmo objetos inéditos.
Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)
Uma das funções inéditas do jogo é um modo de investigação bem mais detalhado. Pode parecer fora de contexto, já que não faz muito sentido Batman ter equipamentos melhores em seu início de carreira do que em Asylum/City, mas não dá para exigir muita coerência em jogo de super-herói. De qualquer forma, o modo de investigação é uma das coisa mais legais do jogo, já que te permite reconstruir cenas do crime, lembrando o jogo Remember Me.
Ainda que não seja possível alterar e remodelar a cena do crime, como no game da Capcom, é possível remontar tudo nos seus mínimos detalhes, com direito a visualização de objetos fora de contexto ou elementos que não estavam antes na cena. Tudo é bem feito e divertido de se investigar, um ponto alto em um jogo onde o principal personagem é conhecido por ser um grande detetive.
Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)
Desânimo: poucas horas depois
O maior problema de Arkham Origins, porém, é o se desenrolar e também o tempo. Poucas horas depois de iniciada, a aventura começa a ficar chata e “mais do mesmo”, parecendo o mesmo jogo de anteriormente. Apesar das novidades, a produtora não conseguiu mudar muito a “cara” do game, deixando-o como uma cópia em papel de Asylum ou City.
Isso se dá por conta do ambiente, já que boa parte do mapa faz parte do território que mais tarde viria a ser fechado para se tornar Arkham City, incluindo a Wonder Tower. Mas também à outros motivos: a história que só empolga em alguns poucos momentos, as lutas que podem soar cansativas e os bugs, muitos bugs.
Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)
Os bugs em Arkham Origins irritam e em alguns casos deixam o game injogável. A Warner já garantiu que vai resolver todos os problemas por meio de atualização, mas até lá nos resta sentar e aguardar – e sofrer com os problemas. Eles vão desde lentidão repentina em algumas partes do jogo, mesmo em consoles, ou até mesmo falhas gráficas, de colisão, de mira e por aí vai.
Vale lembrar que, como inovação, o jogo agora possui um modo multiplayer, mas ele não chega a ser tão interessante quanto parece. Ele funciona em modos de times e os jogadores se dividem em grupos de criminosos, enquanto outros dois comandam Batman e Robin na luta contra o crime. É divertido por alguns minutos, mas vai cansar logo, já que não é tão bem pensado assim.
Batman e Robin no multiplayer de Arkham Origins (Foto: Reprodução) (Foto: Batman e Robin no multiplayer de Arkham Origins (Foto: Reprodução))Batman e Robin no multiplayer de Arkham Origins (Foto: Reprodução)
O game nunca foi tão bonito
Sobre gráfico, Arkham Origins dá um show. O jogo é realmente bonito, tirando tudo o que pode dos consoles da atual geração, mais bonito do que os anteriores. Os efeitos de luz, a modelagem dos cenários, inimigos e demais personagens, tudo está muito bem feito e produzido, deixando o jogo agradável visualmente.
Além de ambientes grandes, o jogo também dá um show de efeitos, com luzes, sombras, tudo muito bem colocado conforme o jogador vai avançando pelos cenários. A parte sonora também agrada, com uma boa trilha sonora e direito a dublagem em português para quem não consegue entender o idioma original.
Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)Batman: Arkham Origins (Foto: Divulgação)
Conclusão
Batman: Arkham Origins está longe de ser tão bom quanto Asylum ou City, mas ainda assim é um jogo divertido. O game tem seus altos e baixos, mas durante muito tempo pode se tornar chato e repetitivo, sem o mesmo charme dos anteriores. Ao menos é bem bonito e algumas novidades devem agradar, apesar da história um pouco “mais do mesmo”.